quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sol de África


Poema publicado na Revista Elipse Nº1 


O sol de África,  redondo, amarelo
deitado nos relevos geométricos  
dum  djembe   que soa ao amencer
  tam tam tam tam
A realidade cria  sons  de madeira
enchoupados  na auga dum rio
que às vezes  também chora
Os fechados olhos  internam-se
na raizame da erva, na terra
nos pés em coiro que caminham
baixo nuvens  grises de incerteza
A rota atravessa  as árvores  robustas
num  encadeamento que semelha não ter  fim
As vozes de África  
vêm  envolvidas no tam tam  do vento
Refletem  laios doutra hora
e desta
O liberado ritmo
acada eco  entre  os dedos
debuxa  bágoas
na face chocolate duma rapariga
 infibulada
voa polo celeste céu de África
na tensa pele,  folgam as notas duma melodia
 duma oração
Uma mãe face de chocolate
intenta amamentar ao seu meninho
com o calostro que deita das suas mamas murchas
caídas
de fome
Sol de África
África negra
África nossa!

Tam   tam  tam  tam tam  tam

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

In memoriam

                                     
                                  
                                        Una eternità la notte
                                   Gelido pesante il giorno
                                   Gelo scorre il fiume  venale e,
                                   questa angoscia che  imprigiona
                                                                           lo spirito   
                                                                        non è finita
                               
                                    Rimane sempre, eterna
                                    Gli artigli della feroce morte fere
                                    Con  ferocia  spaventosa
                                    La ferita  ancora  non cicatrizza
                                                               Indubbiamente                                                                                                                                                                                  
                                    Rimanere impassibile è un miracolo

domingo, 21 de julho de 2013

poema contra a mina de ouro de Corcoesto

A ceo aberto entra a morte
fenece a terra a golpe de cianuro
nunha drenaxe aceda que a envelena
 contamínaa
Non quero  este caos que nos acurrala
que nos anubra nunha eclipse eterna
Hai unha alarma pendurada das árbores
unha ameaza terríbel
Habita o desazo involucrado no proxecto do demo
que nos esperta, que nos volve insomnes
e fai tremer a pedra e o río
Nos tocados cons inscríbese a barbarie
Instáurase a enfermidade e abre canles sépticas  
nas edénicas corredoiras
e nós ficamos  nus,nun futuro árido
sen O2
no frío intenso, no loito irremediábel
que se instaura na Cabana
hai un temor crecente
que irrompe nun escenario indesexábel
 esperpéntico
a esperanza semella nula e as tardes devalan
na terríbel secuencia agónica
inamovíbel no  dourado abismo
A escuridade féndenos as tempas
acubíllase  entre as árbores asustadas
Tumoracións váranse nas nosas costas
na profundidade do teu seo nai
e non queremos
non queremos que se cerna  na amada chaira
o inmenso pranto dun sepelio
non queremos
que a superficie deste territorio
erosione  crónicos espectros
Simplemente, queremos  ter a certeza da luz
mais nada! 

terça-feira, 2 de julho de 2013

A içada bandeira azul e branca

Poema escrito para a III Festa da República Galega  na velha estação em Ordes (29 de junho, 2013)
ondeará ceive cara o  céu  extenso  
e aberto  da independência
Não quer viver abaixo
enforcada no jugo colonialista
desencadeasse
empreende uma  maratona  cara a soberania   
 Minha terra que vives  afrontada
dende o centro ditatorial
dende o fascio
Esperta mãe do escuro letargo!
As páginas geladas da tua história
fincaram os pés assassinos na tua gorja
na  terra
e  abriram  cadaleitos trás os seus passos violentos
Quiseram mancar-te, emudecer-te
derrubar-te no fosso  húmido das catacumbas
 Porém segues caminhando com passo seguro
ata a extenuação
Porque os duros valados não são quem
de  travar as tuas ânsias de voar
e berras, pelejas  encerrado  povo
nas celas lúgubres do opressor
Mais a fouce imperialista não conseguiu
nem conseguirá   a submissão  
a luta guia os teus passos na noite
a  resistência  abre novas janelas ao sol
neste pôr -do- sol  que semelhava  infindo

Içada bandeira em marcha
sem trégua 
sempre cara a liberdade!


 Vigo 12 de maio, 2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A luz é un traço amarelo


Safe Creative #1304084914826

A través dos cristais da janela
a luz é um  traço amarelo  que habita acovilhado

no interior das cóxegas quentes do rescaldo
Fora
a  noite prende no céu a sua negrura intensa
e esvara a humidade nas telhas
levemente
ao  som melancólico de tears in heaven
arranha  a tristura na imagem
dorme nos degraus  de pedra  

domingo, 10 de março de 2013

flashback


Un flashback  trasládame ás veces
ao silente fotograma
de cor sepia
cor do recordo
Oriéntame cara a memoria máis próxima
fundida nos escenarios abertos
onde o tempo
é parte dun lance
Parte do diálogo
transcrito na superficie das
pedras
nas pegadas que moran
o extenso chan
no que
unha brétema baixa
levita por enriba das follas mortas
soterradas

É  inverno
Érguese un pano
e na escena
aparece un computador nun con
Ao carón
no corazón do monte
unha meisiña medita...

As liñas dos petróglifos do Outeiro do Cribo
envíanme SMS 
Vía e-mail

  
xaneiro 2013 

maio 2013

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Poema a Armenteira



Porque fogar
leva insignias de natureza
impresas nas súas contornas
Na face dos muíños da Buraca
que moen fonemas
no expresionismo máis nítido
do lenzo
Acubillados retallos indelébeis
atraen
imantan na pupila as imaxes ilimitadas
da terra
da auga
do Salnés 
Quizais sexa o lirismo inconcluso dos fentos
A cor púrpura dos troques
que baten na memoria fortemente
e envólvente no arrecendo límpido
da xeografía que medra
onde xace o son inesquecíbel
da carballeira
o rumor melodioso do río Armenteira
Inamovíbeis camiños
fíxanse na mente
deseño luminoso que me habita
litografía bela
ancorada
na estrutura nacente dun poema



xaneiro, 2013

maio, 2013


domingo, 3 de fevereiro de 2013

A figueira


A decadencia
tínguelle  as follas de amarelo
e ela
está soa  na noite
a intemperie
na inmensa  humidade
erguida cara un ceo baleiro
negro
de inverno
 ________




A decadência

tinge-lhe as folhas de amarelo
e ela
está sozinha na noite
a intempérie 
na imensa humidade
erguida cara um céu vazio
preto
de inverno